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O julgamento de Lindsay Clancy, acusada do homicídio dos seus três filhos, tornou-se num dos mais mediáticos dos últimos anos nos Estados Unidos. Para além da protagonista do caso – a própria Lindsay – há um homem que se tem destacado e em quem muitos depositam a sua confiança para que a saúde mental passe a ser vista de outra forma.
Trata-se do advogado Kevin Reddington que se tem mantido firme na defesa de que a mulher precisava de ajuda e que todos ignoraram os sinais de que uma tragédia podia acontecer.
“Todos sabiam que Lindsay Clancy era uma mulher, esposa, mãe e amiga incrível, e aqui está ela agora. É trágico”, chegou a afirmar o profissional, admitindo que este é um dos casos “mais memoráveis e difíceis” que teve em mãos.
Em 1989, uma mulher de Massachusetts matou o namorado após desferir-lhe várias facadas num olho enquanto este dormia. O seu advogado nunca negou que Theresa Rogers era culpada de homicídio, mas alegou que esta sofria de stress pós-traumático, depois de ela e a filha terem sido sujeitas a meses de abuso físico e sexual. A mulher acabou por ser absolvida.
O caso tem contornos semelhantes ao de Lindsay e o advogado é precisamente o mesmo: Kevin Reddington, homem que não diz que não a um caso difícil, e que começou a sua carreira em 1975, após formar-se na Universidade de Direito de Suffolk, em Boston.
Entre os vários casos que já levou a tribunal, destacam-se a defesa do jogador do Boston Red Sox, Mo Vaughn, na década de 1990.
O jogador viu-se envolvido num acidente de viação, depois de uma ida a um clube de striptease. Mo Vaughn recusou-se a fazer o teste de alcoolemia e foi acusado de conduzir sob o efeito de álcool, depois de ter cometido falhas noutros exames realizados pela polícia no local.
Em tribunal, Kevin alegou que o homem não tinha passado nos testes da polícia devido a uma lesão no joelho e o jogador foi absolvido.
Alguns anos mais tarde, Reddington voltou a ser notícia ao defender o reverendo Ronald Paquin, acusado de abuso sexual de menores. Paquin foi o primeiro membro da arquidiocese de Boston a declarar-se culpado de abuso sexual de um menor e foi condenado a uma pena de 12 a 15 anos de prisão.
Já em 2007, o homem defendeu uma médica acusada de matar o marido. O advogado defendeu que a arguida era vítima de violência doméstica e que agiu apenas em defesa própria. O caso nunca chegou a tribunal porque o júri não quis apresentar nenhuma acusação contra a mulher.
O seu papel na defesa de Lindsay tem seguidos contornos semelhantes, com o homem a ser elogiado pela forma humana como tem apoiado a arguida.
Recorde-se que o homem não nega que pertence a Lindsay a autoria da morte dos três filhos – de cinco e três anos e um bebé de 8 meses. Porém, o homem quer garantir que esta não é considerada criminalmente responsável devido a uma grave patologia mental.
O advogado e Lindsay© Getty Images/David L. Ryan/The Boston Globe
Semanas antes do crime, Lindsay chegou a procurar ajuda médica em várias clínicas e hospitais, onde lhe foi prescrita uma grande quantidade de medicamentos que, de acordo com a defesa, agravaram drasticamente o seu estado mental.
O homem espera que este dado ajude à sua causa, porém o próprio já admitiu que seja qual for o final do julgamento, este nunca terá um final feliz: “Ela está a viver o seu próprio inferno. Ela sabe o que aconteceu àquelas crianças e queria morrer quando estava no hospital”.
Clancy, recorde-se, aproveitou o momento em que o seu marido se ausentou de casa, em janeiro de 2023 para matar os três filhos. Depois disso, tentou tirar a sua própria vida, atirando-se de uma janela. A mulher sobreviveu, mas ficou paraplégica.
Caso seja condenada, pode incorrer numa pena de prisão perpétua.
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