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Jerusalém, Israel, 28 ago 2026 – O ministro da Segurança Nacional e líder do Poder Judaico, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, recusou hoje um apelo do chefe do Governo, Benjamin Netanyahu, para a aliança eleitoral das duas forças de extrema-direita no executivo, indicou o partido radical.
O primeiro-ministro e líder do partido maioritário, Likud, pediu hoje que o partido de Ben-Gvir se junte ao Sionismo Religioso, dirigido pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também de extrema-direita, e convidou os dois políticos para uma reunião no domingo.
Numa mensagem difundida hoje, Netanyahu defendeu que as “divergências pessoais” entre Ben-Gvir e Smotrich devem ser ultrapassadas para evitar que a divisão na direita israelita leve a oposição ao poder nas legislativas marcadas para 27 de outubro.
O Poder Judaico rejeitou de imediato o apelo do líder do Governo, afirmando que a decisão de manter o partido separado de Smotrich era final e “não será alterada em nenhuma circunstância”, do mesmo modo que declinou o convite para a reunião.
“Não haverá conversas, reuniões ou discussões sobre o assunto, nem direta nem indiretamente”, declarou o partido ultranacionalista, citado pelo jornal The Times of Israel.
Em alternativa, o partido de Ben-Gvir sugeriu a Netanyahu que promova uma união de todos as pequenas formações de direita que estão aquém nas sondagens do mínimo de 3,25% para elegerem representantes no Knesset (parlamento), ou incorporar nas listas do Likud o Sionismo Religioso, que está perto daquela fasquia.
“Segundo todas as sondagens, uma candidatura conjunta entre mim e Smotrich faria com que o Otzma Yehudit [Poder Judaico] perdesse três a quatro lugares (…) e o Governo de direita cairia”, afirmou Ben-Gvir na quinta-feira na rede social X, sinalizando já a recusa da pretensão de Netanyahu, hoje vincada pelo seu partido.
Em resposta, o Likud acusou por escrito Ben-Gvir de “queimar votos” à direita em nome do seu ego e de favorecer o Yashar, presidido pelo antigo chefe das forças armadas Gadi Eisenkot, que lidera as sondagens.
O partido de Netanyahu reiterou ainda alertas já anteriormente expressados pelo chefe de Governo de que uma vitória do bloco de oposição levará à criação do Estado palestiniano, ao enfraquecimento das forças armadas e ainda ao estabelecimento da censura, encerrando o conservador canal 14, próximo do atual executivo de coligação.
Ainda não é conhecida uma resposta do partido de Smotrich ao apelo do primeiro-ministro.
O Poder Judaico e o Sionismo Religioso concorreram juntos nas eleições de 2022, mas separaram-se pouco depois, embora ambos continuem na coligação governamental, onde Ben-Gvir e Smotrich surgem como os seus rostos mais radicais, ao defenderem a anexação da Cisjordânia e promoverem discursos de ódio contra as populações árabes.
Esta discussão pré-eleitoral surge na semana em que o ex-general Ofer Winter anunciou a formação de um novo partido que poderá atrair votos do eleitorado de extrema-direita, já dividido por várias forças políticas existentes ou recentemente criadas.
A generalidade das sondagens coloca em risco a recondução do Likud e do atual executivo em coligação com a extrema-direita, embora nenhum bloco político consiga o controlo do parlamento, trazendo incerteza sobre os resultados e as alianças políticas que serão precisas para uma maioria.
Os estudos de opinião dão vantagem ao Yashar, de Gadi Eisenkot, mas sem conseguir controlar a maioria dos 120 deputados do Knesset.
Além do Yashar, o bloco de oposição está dividido entre a coligação B’Yachad (Juntos), criada este ano pelos antigos primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, o Yisrael Beytenu (Israel é a Nossa Casa), partido nacionalista, de direita e secular, liderado pelo deputado Avigdor Liberman, e ainda Os Democratas, partido social-democrata sionista dirigido pelo antigo general Yair Golan.
Só atrás destes surgem, nas intenções de voto, os partidos que têm estado próximos de Netanyahu, incluindo os ultraortodoxos e as forças de extrema-direita.
Os partidos árabes podem funcionar como desbloqueador das legislativas, com resultados acima de dez deputados, mas com perspetivas de aumentar desde o anúncio de uma coligação eleitoral formada por Hadash, Ta’al e Balad.
Netanyahu confirmou em meados de junho que se iria recandidatar, apesar da queda da sua popularidade desde os ataques de 07 de outubro de 2023 cometidos pelos islamitas do Hamas, que deram início a várias frentes de conflito em curso no Médio Oriente. A situação económica de Israel, além dos processos judiciais que enfrenta por corrupção, também enfraqueceu o apoio a Netanyahu, que é o político israelita com mais tempo no cargo de primeiro-ministro na história do país. A primeira vez que assumiu o cargo foi em 1996.
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