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ONU pede rápida resposta internacional após recente massacre no Haiti


“As instituições de segurança nacional não podem ser deixadas a enfrentar esta ameaça sem o apoio adequado. A Força de Repressão de Gangues representa uma componente crítica da resposta internacional autorizada por este Conselho. O seu destacamento rápido e completo deve agora ser acelerado”, instou hoje o chefe do Escritório das Nações Unidas no Haiti (BINUH).

O apelo foi feito por Carlos Ruiz Massieu numa reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, solicitada pelo Panamá e pelos Estados Unidos, juntamente com a Colômbia, após um ataque de gangues na noite de 23 para 24 de agosto na comuna de Kenscoff, que fez quase 50 mortos.

Embora tenha um efetivo autorizado de 5.550 pessoas, a Força de Repressão de Gangues – autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU no ano passado – ainda não atingiu a sua capacidade operacional total.

De acordo com o último relatório do BINUH, em 08 de julho, a componente militar da Força era apenas de 1.083 pessoas, enquanto a componente civil era composta por 16 funcionários.

Os gangues lançaram no início da semana um ataque brutal contra a comuna de Kenscoff, nas colinas com vista para a capital haitiana, Porto-Príncipe.

O ataque ceifou a vida a pelo menos 47 pessoas, incluindo cinco crianças. Dezenas de pessoas foram raptadas e muitas outras ficaram feridas.

As casas também foram incendiadas e a população local que procurava refúgio da violência foi atacada, inclusive numa igreja, onde membros dos gangues executaram pessoas e mataram outras que tentavam escapar, segundo relatou Massieu.

“Exijo a libertação imediata e incondicional de todas as pessoas que foram raptadas, incluindo mulheres e crianças”, apelou o chefe do BINUH.

O massacre, o mais recente de uma série de ataques que afetaram Kenscoff desde o início de 2025, demonstrou a capacidade dos gangues de expandir a sua influência além da capital, Porto-Príncipe, e desafiar a autoridade do Estado.  

A ONU documentou 1.408 mortos e 656 feridos apenas entre abril e junho deste ano no Haiti.

“Este último ataque ocorre num momento crítico da transição política do Haiti. Sem a melhoria das condições de segurança, permanecerão severamente limitados e vulneráveis a contratempos os esforços para reforçar a governação, acelerar o processo político e avançar com os preparativos eleitorais”, advertiu Massieu.

Também pediu que aqueles que perpetram, financiam, armam e permitem a violência de gangues sejam responsabilizados, enfatizando que os compromissos internacionais devem agora produzir resultados concretos.

Na mesma reunião, Indrika Ratwatte, subsecretário-geral interino para Assuntos Humanitários da ONU, afirmou que o Haiti enfrenta uma das crises humanitárias mais graves do Hemisfério Ocidental, com 6,4 milhões de pessoas a necessitar de assistência. 

Quase 1,5 milhões de pessoas estão deslocadas internamente, metade delas crianças. 

Parceiros humanitários da ONU registaram mais de 5.500 incidentes de violência de género durante o primeiro semestre deste ano. Aproximadamente 70% envolveram violação, com violações coletivas relatadas em quase três quartos dos casos.

No encontro de emergência do Conselho de Segurança, vários Estados-membros defenderam a necessidade de reforço da Força de Repressão de Gangues, com os Estados Unidos a pressionarem o Conselho para que renove o mandato dessa missão no próximo mês.

A diplomata norte-americana Jennifer Locetta apelou à Força de Repressão de Gangues para que “varra as ruas, neutralize a ameaça e devolva o Haiti ao seu povo”.

Locetta enfatizou que os terroristas não podem usar a democracia como refém para fins egoístas e violentos, nem privar os haitianos do seu futuro. Reafirmou ainda apoio às autoridades haitianas que trabalham para restaurar a segurança e proteger a população.

Leia Também: Mais de 1.400 pessoas mortas no Haiti entre abril e junho



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